Mentes Lúcidas

Quando o racional fica em silêncio e vive no conformismo, torna-se parte do problema e perde a total credibilidade da razão

Doações de sangue no fim e começo de ano.

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Os estoques dos bancos de sangue diminuem cerca de 30% na época das comemorações de fim de ano e férias. No mesmo período, também em razão das festas, aumentam os casos de urgência na rede hospitalar, o que causa elevação da demanda por sangue e hemoderivados em todo território nacional.

No Brasil, 1,8% da população é doadora de sangue. Apesar de o percentual indicar que o país está dentro do parâmetro da Organização Mundial de Saúde (OMS) – de 1% a 3% da população – o Ministério da Saúde considera que é urgente e possível aumentar o número de doadores. A conta é simples: se cada brasileiro doar sangue duas vezes ao ano, não faltará sangue para transfusão em todo território nacional.

Os grupos sanguíneos mais comuns são o O e o A. Juntos eles abrangem 87% de nossa população. O grupo B contribui com 10% e o AB com apenas 3%. O sangue O Negativo é conhecido como universal, pode ser transfundido em qualquer pessoa. Mas apenas 9% dos brasileiros possuem esse tipo de sanguíneo. É muito utilizado pelos hospitais pois é o sangue que salva em situações de emergência. O tipo O positivo é o sangue mais utilizado no Brasil. O estoque de um hemocentro deve ter, no mínimo, 50% deste tipo sanguíneo. No caso de transfusão, o ideal é o paciente receber sangue do mesmo tipo que o seu. Somente em situações de urgência/emergência lança-se mão de sangue universal O RH negativo.

Dados da Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde revelam que nesse período há redução de 20% a 25% no número das doações em todo o Brasil. No Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, onde a necessidade de sangue é maior, o quadro é ainda mais grave: a queda nas doações chega a 40%. Como o sangue é perecível, o Ministério da Saúde alerta para a necessidade de reposição do estoque.

O sangue, seus componentes e derivados são produtos essenciais e ainda insubstituíveis no tratamento de diversas doenças, sejam de natureza hereditária, infecciosa ou metabólica.

Os concentrados de hemácias, plaquetas e leucócitos, e a parte líquida do sangue (plasma) são chamados de hemocomponentes, enquanto as proteínas extraídas do plasma por meio industrial (fatores da coagulação, albumina, imunoglobulinas e outras) são chamadas de hemoderivados. A preparação, indicação e aplicação desses produtos na medicina fazem parte da especialidade conhecida como Hemoterapia.

Os concentrados de fatores da coagulação são utilizados nos pacientes com insuficiência ou ausência de produção destes fatores, de origem hereditária ou não. As insuficiências ou ausências de produção hereditárias mais conhecidas são as Hemofilias e a Doença de Von Willebrand.

As imunoglobulinas são utilizadas nos portadores de deficiências imunológicas primárias ou genéticas, como também nas secundárias ou adquiridas, por exemplo, doenças infecciosas graves e vários tipos de câncer. A indicação de uso das imunoglobulinas tem se expandido.

Os Hemocentros são instituições que promovem a interiorização das ações relativas ao uso de sangue para fins terapêuticos, a doação voluntária do sangue, medidas de proteção à saúde do doador e receptor, medidas para disciplinar a coleta e o controle de qualidade, condições de estocagem e distribuição de hemoderivados, bem como promover o desenvolvimento de conhecimento científico e tecnológico na área. Têm uma importância social muito grande. Primeiro, por atender pacientes, que, sem reposição sanguínea, não sobreviveriam. Segundo, devido a determinações legais, um hospital não pode funcionar sem uma unidade hemoterapia. Para a indústria, que recebe o excedente, isto é, o que não foi utilizado na transfusão, à falta de doadores se transforma em falta de matéria-prima, gerando produção menor, que não atende a demanda.

Porém, verifica-se que a preocupação maior de cada unidade hemoterapia é com o atendimento das necessidades dos pacientes. Nos casos de urgências (acidentes graves) é de suma importância o pronto atendimento. Existem, também, pacientes com doenças crônicas, graves, que necessitam fazer transfusões regularmente, casos das hemodiálises, onde a busca por doadores é enorme.

O doador voluntário, em um primeiro momento, vai doar guiado ou por um pedido, que pode ser de um amigo ou parente que esteja necessitando de sangue, ou por uma fonte, que pode ser a indicação de alguém que já doou nesse lugar. A percepção dessa fonte, um indivíduo fora de seu ambiente familiar, geralmente sob pressão de tempo, provavelmente cansado e talvez fragilizado por doar para um familiar que está necessitado, demonstra a importância de converter essa experiência em algo que acrescente valor para o doador a ponto de que este se torne uma boa fonte de referências.

Na verdade, talvez o maior imperativo que se coloca para as instituições seja a capacidade de divulgar para a população em geral a importância de aumentar a segurança de quem recebe o sangue doado. A doação de sangue salva vidas, porém, a doação contínua requer exames rotineiros, o que aumenta a margem de segurança quanto a doenças transmissíveis. Desta forma, observa-se que para o futuro deve-se pensar não mais em termos de reposição de sangue, mas sim de transfusões de sangue com maior margem de segurança. Isto pode ser obtido através de doadores voluntários e contínuos.

Quem pode doar – Pessoas com peso acima de 50 quilos e idade entre 18 e 67 anos. Podem ser aceitos candidatos à doação de sangue com idade de 16 e 17 anos, com o consentimento formal do responsável legal. É necessário apresentar documento com foto, válido em todo território nacional.

Quem não pode doar – Pessoas com diagnóstico de hepatite após os 11 anos de idade; mulheres grávidas ou amamentando; pessoas que estão expostas a doenças transmissíveis pelo sangue como AIDS, hepatite, sífilis e doença de chagas; usuários de drogas; aqueles que tiveram relacionamento sexual com parceiro desconhecido ou eventual, sem uso de preservativos.

Recomendações – Nunca vá doar sangue em jejum; faça um repouso mínimo de 6 horas na noite anterior à doação; não tome bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores; evite fumar por, pelo menos, 2 horas antes da doação e evite alimentos gordurosos nas 3 horas antecedentes à doação. Pessoas que exercem profissões como, piloto de avião ou helicóptero, condutor de ônibus ou caminhões de grande porte e trabalhadores que sobem em andaimes – devem interromper as atividades por 12 horas, após a doação. A mesma recomendação é válida para que prática de paraquedismo ou mergulho.

  • Informe-se nos Hemocentros de sua localidade ou na secretaria de saúde do seu município e ainda nos hospitais e Unidades de saúde.
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