Mentes Lúcidas

Quando o racional fica em silêncio e vive no conformismo, torna-se parte do problema e perde a total credibilidade da razão

A infâmia dos políticos

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beloO Brasil perdeu mais de 45 mil quilômetros quadrados de áreas protegidas nos últimos 30 anos – uma área maior do que a do Estado de Rio de Janeiro – segundo levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco.

Quase 70% dos casos no País ocorreram a partir de 2008. No período todo, os pesquisadores registraram 48 eventos. Entre 1981 e 2000, houve apenas dois. Em 2001, ocorre um primeiro pico de oito eventos, relacionados à aprovação da lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc), em julho de 2000. “Foram eventos de adequação à nova lei”, explica Bernard, pesquisador da Universidade.

Aparece com destaque na lista de “motivadores” a especulação imobiliária, com 7 eventos, e o agronegócio, com 5, entretanto, a geração e transmissão de eletricidade, principalmente na Amazônia, foi o motivador de 21 eventos (44% do total), incluindo 11 desclassificações (em que unidades de conservação deixaram de existir), 9 reduções e 1 reclassificação. “A maior parte desses eventos ocorre a partir de 2010, com a publicação do plano de energia do governo, que aponta a Amazônia como grande reservatório de energia do Brasil”.

Cerca de 40% da Amazônia Brasileira já é “coberta” por unidades de conservação e terras indígenas, segundo o último relatório da Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas (Raisg), e quanto mais cresce a demanda por energia elétrica principalmente nas empresas e indústrias automobilísticas e de processamento de minério.

“Geralmente os potenciais hidrelétricos se concentram na Amazônia, e boa parte passa por unidades de conservação e terras indígenas”, afirma Vizentin. “É uma situação real que acaba obrigando o governo a tomar decisões. Não há como tapar o sol com a peneira, é preciso fazer as opções.” – Roberto Vizentin, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Criado há 12 anos, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) não resolveu os problemas. “O problema ocorre principalmente com as unidades criadas antes da publicação do Snuc, em 2000. É preciso que o Ministério Público Federal exija que os planos de manejo sejam implementados”, diz Luiz Fazzio, especialista em Meio Ambiente e Sustentabilidade do escritório Braga Nascimento e Zilio.

Na hidrelétrica Belo Monte, a Norte Energia – responsável pelos canteiros de obras na cidade de Altamira – realizou cálculos no estudo de impacto ambiental usado pelos empreendedores da Eletronorte e Norte Energia que foram apontados erros de acordo com um relatório independente, feito por meio de cooperação técnica entre MPF e a UFPA, apontando que os números de pessoas deslocadas na cidade de Altamira pelo alagamento que a usina vai causar podem ser bem maiores que o previsto pelos empreendedores e se eles usarem os dados incorretos para indenizações e reassentamentos, podem deixar milhares de moradores de Altamira sem compensação ou mitigação, conforme exige a licença ambiental.mapaBeloMonte

Além disso, os casos de exploração sexual em Vitória do Xingu e de tráfico de perto próximo ao canteiro de obras da usina de Belo Monte, no Pará, tomam conta da localidade, onde foi encontrado até uma menor de idade.

Enquanto nossas excepcionais autoridades doentias “zumbis’’, como disse a revista The Economist, dão singelos exemplos de corrupção, ignorância, incompetência e negligência, a norte-americana NBD Nano criou um sistema capaz de extrair água do ar utilizando a nanotecnologia; os EUA incentivos para energia solar fotovoltaica e eólica geraram em três anos mais de 200 mil empregos de qualidade, valor de produção da ordem de quase US$ 45 bilhões e lucros em torno de US$ 15 bilhões; Países nórdicos podem ser neutros em carbono no setor de energia até 2050, mas pelo ritmo acelerado que estão, podem antecipar esta meta até em 30 anos; A China, maior poluidor do mundo e voraz consumidor de carvão, concentrará o crescimento da produção de eletricidade com base em energia renovável nos próximos cinco anos, muito à frente de Estados Unidos, Índia e Alemanha.

Estes são meros exemplos de capacidade técnica e eficiência que estão muito a frente do que chamamos de desenvolvimento nacional brasileiro.

Algumas fotos aqui

Blog para complemento interessante (a ilustração acima é deste blog): aqui

Vídeo: Belo Monte, uma usina polêmica

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