Mentes Lúcidas

Quando o racional fica em silêncio e vive no conformismo, torna-se parte do problema e perde a total credibilidade da razão

Os impactos ambientais que estão deixando para as gerações vindouras

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Foto: Greenpeace

A pecuária e a produção extensiva de grãos vêm dizimando o pouco que nos sobrou de floresta nativa. Além disso, os governantes fizeram uma parceria com a bancada do agronegócio no Congresso, que só quer a destruição florestal e o crescimento econômico a todo custo. Os resultados dessa aliança ruralista é a destruição do que resta de verde no país.

Estudos e análises têm confirmado o papel importante da soja e sobretudo da pecuária na dinâmica dos desmates. A velocidade do aumento do rebanho bovino em toda a Amazônia e da área cultivada no Mato Grosso (responsável por mais de 90% da produção de soja da região) têm acompanhado os índices do desflorestamento. Entre 1998 e 2004, a área plantada com soja no Mato Grosso subiu de 2,6 milhões de hectares para 5,2 milhões. O total de cabeças de gado na Amazônia Legal (fora o Leste do Maranhão) passou de quase 37,8 milhões para mais de 65,7 milhões, de acordo com estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Nos últimos vinte anos, mais de 500 pessoas, entre trabalhadores rurais, assentados, pequenos agricultores e lideranças do movimento em defesa da reforma agrária e dos direitos humanos, foram assassinados no Pará, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT). No mesmo período, cerca de 117,3 mil quilômetros quadrados de florestas foram desmatados no Estado, mais de duas vezes o território da Paraíba. Sem relação aparente, os dois tristes números fazem parte da mesma tragédia socioambiental encenada também em vários outros locais da Amazônia. A violência no campo e a devastação estão interligadas e têm uma causa comum: a omissão, a conivência e até o estímulo do Poder Público diante da ocupação e do comércio ilegais de terras.

Desmatamento na Amazônia de acordo com dados do Inpe:
De 1977 a 1988: 21 mil quilômetros quadrados
De 1988 a 1990: 31,5 mil quilômetros quadrados
De 1990 a 1994: 39,7 mil quilômetros quadrados
De 1994 a1998: 77,8 mil quilômetros quadrados (1º governo FHC)
De 1998 a 2002: 76,9 mil quilômetros quadrados (2º governo FHC)
De 2002/03 a 2005/06: 84,4 mil quilômetros quadrados (governo Lula)

(Já saíram dados de 2007 até 2012)

Com a exploração de minério da intocada Serra Sul da Floresta Nacional de Carajás, a Vale expande suas atividades na Amazônia e promete dobrar a produção em quatro anos.

Quando o Projeto Grande Carajás foi instalado, nos anos 80, os militares falavam em 500 anos de recursos minerais ali. Ao ritmo de 100 milhões de toneladas por ano, crescendo para 230 milhões a partir de 2016, as reservas devem se exaurir antes no final do século, segundo calcula o jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, que há mais de 30 anos pesquisa a mineração em seu estado. “Carajás levou 15 anos para produzir os primeiros 500 milhões de toneladas de minério de ferro. Outros 500 milhões foram alcançados nos sete anos seguintes — em menos da metade do período anterior, portanto. Esse mesmo volume foi registrado nos últimos cinco anos. E, com a entrada em operação da nova mina, ao sul da atual, a produção de 500 milhões de toneladas será batida a cada três anos. Significa dizer que a produção acumulada de Carajás chegará a dois bilhões de toneladas em quatro anos, e os 18 bilhões de reservas terminarão 80 anos depois”, explica.

O impacto da mineração na serra de Carajás vai da cidade de Parauapebas à área das minas da Vale S/A dentro da floresta, transição entre os biomas da Amazônia e do Cerrado. Nesses 411.949 hectares de terras federais – distribuídos entre os municípios de Parauapebas e Canãa dos Carajás – convivem o maior complexo mineral do mundo, com reservas estimadas em 18 bilhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade, além de jazidas de manganês, cobre, níquel, ouro e outros minerais, e uma unidade de conservação “de extrema importância para a conservação da biodiversidade brasileira”, de acordo com o Mapa de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, mas a convivência entre ambiente e mineração ali está longe de estar bem resolvida.

Depois de oito anos de negociações com os órgãos ambientais, a Vale conseguiu obter a licença prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o projeto S11D, “o maior projeto da companhia”, segundo seu material promocional: a exploração de um dos quatro blocos – o “D” – do corpo mineral 11, na Serra Sul (daí a denominação dada pelos geólogos, S-11-D). A primeira mina de ferro na Serra Sul da Floresta Nacional de Carajás, planejada para entrar em operação em 2016. Em quatro anos, a produção anual de minério de ferro de Carajás vai passar dos atuais 110 milhões de toneladas para 230 milhões de toneladas de minério de ferro. O projeto – com investimento de US$ 8 bilhões para a abertura da mina e US$11,4 bilhões para obras de logística para escoar a nova produção – ainda depende de outras licenças (de Instalação e Operação) para ser implantado.

Carajás é o polo em expansão porque tem maior potencial de reservas e oferece minério com teor de ferro acima de 66% (o de Minas, cidade de origem da multinacional brasileira, tem pureza em torno de 53%).

No ano passado, as três minas produziram 109,8 milhões de toneladas de minério de ferro, um terço de toda a produção brasileira, equivalentes a cerca de US$ 13 bilhões.

Em 2010, a companhia foi condenada a pagar aos operários R$ 100 milhões de reais de indenização por danos aos trabalhadores – a companhia recorreu do valor, e um acordo está sendo negociado, bem provável que os bisnetos recebam.

Depois de anos em alta, os preços do minério de ferro, da bauxita e de outros metais despencaram devido às incertezas relacionadas ao crescimento lento da China, e agora querem explorar quando o mercado ainda não está em alta. Ocorre desmatamento, sobrecarrega a infraestrutura e serviços locais, a prostituição, principalmente de menores de idade em regime de escravidão aumenta. A mineração exige alta quantidade de m³ de água para o beneficiamento do minério, uso de aquífero aumentando a contaminação das águas e inundações. Na vegetação há alto grau de endemismo (espécies que só existem ali) de seus habitats únicos. Ocorre destruição de milhares de hectares de vegetação, dezenas de cavernas, além de lagoas que representam quase a metade da superfície lacustre, desempenham função ecológica importante para a fauna e apresenta grande beleza cênica, com potencial turístico, outro atributo para ser considerada área de preservação.

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