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Manejo ecológico do solo

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Apesar dos avanços proporcionados pelo plantio direto nas perdas por erosão e no aumento de produtividade nos últimos 20 anos, o país ainda precisa melhorar as práticas de conservação de solo se quiser acelerar a marcha rumo à sustentabilidade. O desafio dos produtores é desenvolver uma agricultura mais conservacionista, usando o solo de acordo com a aptidão agrícola e respeitando áreas de preservação. A redução de poluentes e a conservação de recursos naturais também estão entre as lições de casa do campo, que projeta colher sua maior safra, de 185 milhões de toneladas.

O governo não tem um programa específico para estimular a conservação, mas vem incentivando uma nova postura com o Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), que apoia a recuperação de áreas degrada.

(Patrícia Meira – Jornal Correio do Povo)

Embora contribua de uma maneira, prejudica ainda muito mais de outra. Incentivos e proteção ao latifundiário invasor de terras indígenas e de colonos vem sendo intensificado.

O desafio é os agricultores desenvolverem uma agricultura mais conservacionista. Nos últimos 20 anos, graças ao avanço das tecnologias, o plantio direto contribuiu para aumentar produtividade e reduzir perdas por erosão. Mas, atualmente, estamos desenvolvendo um plantio direto num sistema de monocultivo, com trigo ou aveia no inverno e cultivo predominante com soja no verão, diga-se de forma insustentável. A semeadura ocorre no sentido do declive, resultando num abaixo aporte de resíduos culturais, infestação de plantas invasoras resistentes a herbicidas, adensamento do solo, redução da infiltração e armazenamento de água no solo. E verifica-se que está ocorrendo à expansão de cultivos, principalmente com a cultura da soja, sobre solos rasos e pedregosos. A semeadura no sentido de declive é prejudicial, pois favorece o escorrimento da água na linha da semeadura causando perdas de sementes e fertilizantes logo após o plantio. Os solos rasos e pedregosos têm baixa capacidade de armazenamento de água, acumulando déficits hídricos em períodos curtos de estiagem, razão pela qual não são recomendados para uso com culturas anuais. Para desenvolver uma agricultura conservacionista, em primeiro lugar devemos usar o solo de acordo com a aptidão agrícola e respeitar as áreas de preservação permanente. Em segundo lugar, manejar a terra de forma a mantê-la permanentemente coberta com plantas e resíduos culturais, aportando fitomassa em quantidade, qualidade e frequência compatíveis com as necessidades para aumentar a matéria orgânica e atividade biológica, melhorar fertilidade, estrutura e capacidade de infiltração de água no solo e mantê-lo produtivo. Além disso, desenvolver uma agricultura menos poluente, que melhore a conservação dos recursos naturais. (Edemar Streck, assistente técnico Estadual em Solos da Emater).

Aportar somente nutrientes ao solo, por meio da aplicação de calcário e dos fertilizantes químicos e a utilização de sementes de qualidade não são práticas suficientes para elevação da produtividade. A agricultura deve ser praticada em conformidade com os fundamentos da conservação do solo. Por exemplo, devemos manter o controle das enxurradas através do uso de práticas mecânicas e vegetativas por meio do terraceamento e cordões vegetados, realizar subsolagem quando o solo estiver muito compactado, adotar a rotação de culturas para maior aporte de resíduos culturais, utilizar plantas recuperadoras de solo para recuperação para quando estiverem degradados e realizar a semeadura direta para manutenção dos resíduos culturais na superfície, visando minimizar as perdas de água por evaporação e escorrimento superficial e de solo por erosão. (Edemar Streck, assistente técnico Estadual em Solos da Emater).

Entre os benefícios técnicos e econômicos do plantio direto estão menos HP por hectare e combustível, plantio no calendário correto, maior teor de matéria orgânica no solo e minhoca. Isso é lucro para o produtor, que pode ser, no geral, de 20% a 25% menor em relação ao antigo cultivo convencional. Com o plantio direto temos melhor produtividade: são duas safras em várias regiões. Mas não de pode deitar em berço esplêndido. Desafios estão a nos confrontar a cada dia, e um deles é melhorar a qualidade do plantio direto em todas as regiões do país. (Maurício Carvalho de Oliveira, chefe da Divisão de Agricultura Conservacionista do Ministério da Agricultura).

A diferença entre solos degradados, com baixa produção e alto rendimento está relacionada com as pessoas que manejam a terra. O agricultor ciente e que adota conhecimento e sabedoria no manejo de solos desenvolve agricultura nesses ambientes também. Há inúmeros exemplos de agricultores de pleno êxito desenvolvendo agricultura em solos pobres, arenosos e degradados. A competência e a sabedoria dos agricultores e da ciência mostram os melhores resultados, mesmo sob condições adversas de solos. (Dirceu Gassen, Gestor de Marketing e Serviços da Cooplantio).

A consolidação do sistema plantio direto, entretanto, está essencialmente alicerçada na rotação de culturas orientada ao incremento da rentabilidade, à promoção da cobertura permanente de solo, à geração de benefícios fitossanitários e à manifestação da fertilidade integral do solo (aspectos físicos, químicos e biológicos). Dessa forma, a integração da rotação de culturas ao abandono da mobilização de solo e à manutenção permanente da cobertura de solo assegura a evolução paulatina da melhoria física, química e biológica do solo.

Sulcos e depressões no terreno, decorrentes do processo erosivo, concentram enxurrada, provocam transtornos ao livre tráfego de máquinas na lavoura, promovem focos de infestação de plantas daninhas e constituem manchas de menor fertilidade de solo.

Em solos ácidos e com baixos teores de fósforo (P) e de potássio (K), a aplicação e incorporação de calcário e de fertilizantes na camada de 0 a 20 cm de profundidade é fundamental para viabilizar o sistema plantio direto nos primeiros anos, período em que a reestruturação do solo ainda não manifestou efeitos benéficos.

Em solos compactados, verificam-se baixa taxa de infiltração de água, ocorrência freqüente de enxurrada, raízes deformadas e/ou concentradas na camada superficial, estrutura degradada e elevada resistência às operações de preparo e de semeadura.

O tipo e a freqüência das espécies contempladas no planejamento de um sistema de rotação de culturas devem atender tanto aos aspectos técnicos, que objetivam a conservação do solo, quanto aos aspectos econômicos e comerciais compatíveis com os sistemas de produção praticados regionalmente.

A cobertura permanente do solo e a consolidação e estabilização da estrutura do solo, otimizadas pelo sistema plantio direto, têm sido, em determinadas situações, insuficientes para disciplinar os fluxos de matéria e de energia gerados pelo ciclo hidrológico, em escala de lavoura ou no âmbito da microbacia hidrográfica.

Embora no sistema plantio direto a cobertura de solo exerça função primordial na dissipação da energia erosiva da chuva, há limites críticos de comprimento do declive em que essa eficiência é superada e, conseqüentemente, o processo de erosão hídrica estabelecido.

A cobertura de solo apresenta potencial para dissipar em até 100% a energia erosiva das gotas de chuva, mas não manifesta essa mesma eficiência para dissipar a energia erosiva da enxurrada.

A tomada de decisão relativa à necessidade de implementação de práticas conservacionistas associadas à cobertura de solo pode fundamentar-se na observância do ponto de falha dos resíduos culturais na superfície do solo provocado pela enxurrada.

Terraços são estruturas hidráulicas conservacionistas, compostas por um camalhão e um canal, construídas transversalmente ao plano de declive do terreno. Essas estruturas constituem barreiras ao livre fluxo da enxurrada, disciplinando-a mediante infiltração no canal do terraço (terraços de absorção) ou condução para fora da lavoura (terraços de drenagem). O objetivo fundamental do terraceamento é reduzir riscos de erosão hídrica e proteger mananciais (rios, lagos, represas…).

A determinação do espaçamento entre terraços está intimamente vinculada ao tipo de solo, à declividade do terreno, ao regime pluvial, ao manejo de solo e de culturas e à modalidade de exploração agrícola.

Sugestão de leitura: Manejo ecológico do solo: A agricultura em regiões tropicais. Livro de Ana Maria Primavesi.

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