Mentes Lúcidas

Quando o racional fica em silêncio e vive no conformismo, torna-se parte do problema e perde a total credibilidade da razão

A geração doentia

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SI Exif”Entre 2009 e 2011, o consumo do metilfenidato, medicamento comercializado no Brasil com os nomes Ritalina e Concerta, aumentou 75% entre crianças e adolescentes na faixa dos 6 aos 16 anos. A droga é usada para combater uma patologia controversa chamada de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. A pesquisa detectou ainda uma variação perturbadora no consumo do remédio: aumenta no segundo semestre do ano e diminui no período das férias escolares. Isso significa que há uma relação direta entre a escola e o uso de uma droga tarja preta, com atuação sobre o sistema nervoso central e criação de dependência física e psíquica. Uma observação: o metilfenidato é conhecido como “a droga da obediência”. (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

”O aumento do consumo de ritalina e congêneres sinaliza como a medicalização de crianças e adolescentes, em substituição a processos educacionais mais plenos, tem sido um caminho “confortável” para famílias, escolas e sociedade, apesar de ser apenas aparente solução para situações vividas.

A criação e a educação dos filhos sobre os efeitos dos diversos tipos de pressão que vivem os pais, em ambientes cada vez mais competitivos, extrapolam o âmbito profissional. São pressões que se espraiam pela imagem propiciada por bens de consumo e usufruto de serviços, somadas ao ritmo acelerado pelo uso das tecnologias de informação, que também reformulam o conceito de tempo, agora composto com um espaço desdobrado em muitos (o presencial, o virtual instantâneo, o virtual latente, etc.).” (Roseli Fischmann – Coordenadora do Programa de Pós-Graduação da Universidade Metodista de SP e docente da Pós-Graduação em educação da USP).

Antidepressivos e ansiolíticos são usados para superar conflitos emocionais e aumentar os limites do corpo diante dos problemas cotidianos. Mas, segundo tese de doutorado defendida pelo farmacêutico Reginaldo Teixeira Mendonça na Faculdade de Saúde Pública da Universidade São Paulo (USP), também questões socioeconômicas são influenciadas pelo uso da medicação. Por meio de um estudo etnográfico, o pesquisador percorreu o “caminho social” dos medicamentos.

Para isso, iniciou seu trabalho na farmácia pública de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e acompanhou a rotina de 23 voluntários. A área delimitada para a pesquisa incluiu favelas, conjuntos habitacionais e bairros de classe média alta.
Segundo Mendonça, o uso dessas drogas tem, inicialmente, a finalidade de auxiliar nos confrontos emocionais, mas acaba impossibilitando o diálogo, fazendo com que os conflitos sejam ignorados – em vez de resolvidos. “As relações sociais são pautadas pelos medicamentos, e essa tendência pode ser produtora de um silêncio que impede a pessoa de encarar qualquer mudança em relação a sua vida”, afirma. Entre os homens, observou-se que essas drogas são usadas principalmente para superar os limites do corpo (dormir menos, trabalhar mais), na tentativa de se manterem como provedores da família. A pesquisa recebeu o Prêmio Nacional de Incentivo à Promoção do Uso Racional de Medicamentos de 2009, concedido pelo Ministério da Saúde.

Com alimentos nutricionalmente esgotados, aditivos químicos e nossa tendência para confiar em medicamentos para tratar o que há de errado com nossos corpos desnutridos e enfermos de qualquer patologia, não é nenhuma maravilha que a sociedade moderna está ficando mais doente ausente de bons relacionamentos sociais. A relações compatibilizadas entre consumo de alimentos nutracêntricos, sustentabilidade, cotidiano simples e tecnologia estão distantes quanto ao conhecimento e interesse da população moderna.

A ”indústria da doença” define os trilhões de dólares em todo o mundo e dá às pessoas algumas soluções cientificamente verificáveis para superar a doença naturalmente.

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2 pensamentos sobre “A geração doentia

  1. Ótima publicação, estamos realmente vivendo em tempos de alienação em massa, parece que estamos em uma tendência de querermos fugir dos problemas que a sociedade está passando, e estas drogas parecem ser muito boas nesta função…

    • Os medicamentos são como os projetos sociais dos governantes no nosso Brasil, são para amenizar um problema, eficazes em uma emergência, tratam da doença/problema, mas, não o que causa… Minha opinião. Abraço! Energias positivas!

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