Mentes Lúcidas

Quando o racional fica em silêncio e vive no conformismo, torna-se parte do problema e perde a total credibilidade da razão

A miséria é um bom negócio

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serritaA seca destrói lavouras e mata o gado no Nordeste. Não há melhor seguro contra a seca do que a captação e o armazenamento da água das chuvas e uso posterior na irrigação das lavouras e distribuição para o gado. O tradicional prejuízo sofrido pela agropecuária nordestina tem por causa maior a falta de vontade e/ou a incompetência dos responsáveis pelo desenvolvimento da região, do que a falta de água.

Aos que duvidam do grande potencial que há no Nordeste para a produção agrossilvopastoril, aconselha-se visitar a Austrália onde se encontra avançada criação de gado e silvicultura em regiões onde a precipitação pluviométrica anda em torno de cem milímetros por ano. Lá, água é canalizada para reservatórios especiais e deles para lavouras, pastagens e bebedouros para os animais. Segundo a SUDENE, em 99,7% das terras do Nordeste semiárido cai mais de 250 milímetros de chuva e, em 80% da área, mais de 500 milímetros por ano – de três a cinco vezes mais do que na Austrália.

O Nordeste perde 700 bilhões de metros cúbicos de água por evaporação, 36 bilhões chegam ao mar pelos rios e 20 bilhões estão acumulados em 70 mil açudes, água suficiente para irrigar mais de 6 milhões de hectares de lavouras, mediante o uso de métodos de baixo consumo de água.

Petrolina (PE) é uma demonstração do potencial da região para a produção agropecuária. É um dos grandes centros de fruticultura tropical da América Latina, baseada na irrigação, na excelência do clima e no manejo correto do solo e das plantações. O litoral Nordestino é excelente para o cultivo diversificado de alimentos essenciais ao abastecimento interno, dada à qualidade das terras, a quantidade e o bom regime de chuvas.

A seca do Nordeste mais parece um bom negócio para certos políticos do que uma adversidade invencível para as populações da região.

 

Artigo de Glauco Olinger –Formado em Engenharia Agronômica, tem mestrado em Ciências Sociais pela UFSC. Desde 1947 atua no setor agrícola catarinense e morador de Florianópolis.

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