Mentes Lúcidas

Quando o racional fica em silêncio e vive no conformismo, torna-se parte do problema e perde a total credibilidade da razão

Pátria armada Brasil

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ditadura-militar-2Em 1950 diziam que o Brasil era o país do futuro. Ainda hoje, este jargão em busca da concretização não é realidade. O futebol enchia de orgulho os brasileiros por levar o nome do país pelo mundo a fora. Após a morte de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek assume a presidência. Investiu na industrialização e apostou no desenvolvimento pelo interior do país. Com o assassinato de JK – comprovado este ano que foi assassinado – Jânio Quadros é Presidente, renunciando logo e assumindo o vice, João Goulart (Jango) que estava na China, neste momento assume o Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. Neste período as tensões aumentam quase uma guerra civil acontece, a Campanha da legalidade, foi à defesa da Constituição, ou seja, a posse do Presidente e Vice-Presidente, nesta época setores das forças armadas e elite dominante brasileira não aceitavam Jango no primeiro posto da nação ao alegar que ele tinha tendências políticas esquerdistas. Em defesa do vice, nasceu o movimento de resistência comandada pelo governador do RS, Leonel Brizola. Para buscar uma saída, no Congresso Nacional os lideres políticos buscavam uma solução para a crise institucional que foi o regime parlamentarista de governo. Jango só voltaria ao poder depois de um plebiscito.

Sindicatos exigiam direitos, ligas camponesas a reforma agrária, os empresários insatisfeitos e a ameaça de quebra de hierarquia nas forças armadas eram enormes. Trabalhadores urbanos e rurais apoiavam Jango e. No Rio de Janeiro, mais de 200 mil trabalhadores apoiavam Jango num discurso no dia 13 de março, uma semana depois, a elite rural, a burguesia industrial e a setores conservadores da igreja, organizaram a marcha da família com Deus pela liberdade. As forças armadas incentivadas pelo governo americano foram decisivas para a divisão do país.

O contexto da guerra fria foi determinante para criar a psicose, anticomunista, o ódio e de que o conflito não é tolerável, pela influencia americana e por ameaças de invasão dos ianques aos Brasil, cria-se a percepção que isso tudo é ideia do comunismo e precisa ser extirpado. Foi um momento marcante e importante da história entre também golpes de direita e de esquerda com muitos movimentos armados e golpistas que apostavam num conflito armado.

Até que no dia 31 de março, uma tropa desloca-se de MG em direção ao RJ, começa aí, a ditadura militar que muitos sequelados e imbecis ainda defendem. A ditadura deixou herdeiros.

A ditadura teve apoio da sociedade civil, ainda que muitos fossem para as ruas manifestar-se contra o novo governo militar que se instalava. Por exemplo, as empresas forneciam ao DOPS a ficha funcional do seu trabalhador, inegável a participação da FIESP na repressão aos trabalhadores. Já a mídia, dava boas vindas ao novo governo e repudiava o governo Jango, principalmente, a Rede Globo, Folha de SP, Estadão – por não receber todo o apoio financeiro prometido pelos militares, tira o seu apoio um período depois de contribuição ao regime militar – entre outros. As forças armadas brasileiras e grandes setores da classe dominante que bancaram o golpe não querem nenhuma leitura sobre o que fizeram e muito menos uma revisão.

Uma democracia de mentira instalava-se. Políticos cassados, atos institucionais criados, extinção de partidos políticos e eleições indiretas para presidente, aumento maior da repressão, AI-5, habeas corpus não existia mais, torturas, perseguições e ausência de liberdade.

O regime militar foi popular, em dois lados: torturas, mortes e violência, proibição de greves, já o outro lado oferecia estradas, aeroportos, emprego, inflação baixa, crescimento econômico, o chamado ‘’crescimento econômico’’. Os investimentos americanos cresciam no país principalmente com estradas. Com empréstimos o Brasil crescia, mas o salário ficava estagnado, a educação, saúde não saíam do lugar e o produto interno bruto cresceu até 13% ao ano.

Com empréstimos internacionais o Brasil cresceu. A industrialização por empréstimos deixou a “dívida externa’’ no momento que a taxa de juros era baixa quando em 1979 dispara assustadoramente, neste momento os militares começam a abertura democrática do país, deixando ao governo civil a maior dívida externa do mundo.

Os preços dos alimentos subiram, a classe trabalhadora que já tinha pouco recebe menos ainda, inflação próxima de 20% ao ano. Durante a ditadura foram manipulados os índices de cálculo para o salário dos trabalhadores em 34,1% pelo ministro Delfim Neto. Assim, aparecem as greves, primeiramente no ABC paulista, ainda que a repressão continuasse, nesta época ocorre à prisão do líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva no DOPS. Com a crise econômica e logo a política instalada, os militares continuam a abertura democrática de forma tímida, entretanto mais rápida e sucessiva, depois com a diminuição da repressão, aparecem às manifestações pelas Diretas Já e pela anistia, os caras pintadas foram para as ruas quando os militares estavam entregando o poder e não antes da abertura democrática como a grande maioria da população acredita de acordo com a didática que lhes foram informadas. A exigência da volta do milagre econômico era emergente o que ainda hoje esperamos pela ineficiência do Estado e de setores que sobreviveram da ditadura e seus oportunistas.

A mesma economia que levou os militares ao seu populismo tirou-os também. O tipo de crescimento foi o maior problema, pois não era sustentável por várias razões: um crescimento de base da economia, com indústrias de capital intensivo, mas não de tecnologia intensiva para poder dar um salto nos anos 80 deste período. Não foi investido em capacidade energética, em telecomunicações, informática, educação. Um crescimento fácil, embora não desenvolvido e sustentável.

Leitura complementar:

1964: o golpe de Estado e a ditadura militar pelo prisma político-econômico.

50 anos do golpe militar: Cadeia para os torturadores!

O golpe contra os trabalhadores

1964: o artigo que O Globo recusou-se a publicar

Hoje na História: Tropas dos EUA invadem a República Dominicana

 

Filmes e documentários:

Zuzu Angel

Batismo de Sangue

Muito Além do Cidadão Kane

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