Mentes Lúcidas

Quando o racional fica em silêncio e vive no conformismo, torna-se parte do problema e perde a total credibilidade da razão

Eventuais conflitos pela água e sua escassez

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400_conflitos_aguaAs disputas por recursos hídricos no Brasil atingiram recorde no último ano. O país vive um conflito por água a cada quatro dias, de acordo com a comissão da pastoral da terra.
Cerca de um bilhão de habitantes não tem acessos à água potável no mundo. Essa situação é responsável pela morte de 2 500 pessoas por dia, a qual metade é criança e esta situação tende a piorar. Especialistas calculam que até 2025 pode ocorrer uma redução de até 71% nas reservas de água.
Na África, nove países disputam há uma década as águas do rio Nilo, já no oriente médio: Turquia, Síria e Iraque brigam pelos rios Eufrates e Tigres. Nos EUA a disputa pela água chegou aos tribunais. A seca histórica no oeste americano fez o governo do Texas processar os estados de Nebraska e Colorado pelo uso da água do rio que cruza os três estados. De forma silenciosa a disputa pela água já chegou ao Brasil. Segundo o relatório da Comissão Pastoral da Terra no ano passado foram identificados 93 conflitos por água em 19 estados, o maior desde 2002, número 17% maior que os conflitos ocorridos em 2012, onde a maioria dos conflitos ocorreu no estado do Rio de Janeiro com sete casos, regiões do Nordeste com 37 casos e Norte com 27 casos. De um lado grandes mineradoras e de outro, famílias ribeirinhas e pequenos produtores agrícolas que moram próximos a fontes de água.

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Marcelo Cardoso, coordenador Executivo da Vitae Civilis, diz que pela indagação do Brasil ser um dos maiores detentores da água doce do planeta, fez com que o país afrouxasse o cinto e ficasse tranquilo durante muitos anos no que diz respeito a conservação e preservação das águas.
Nos grandes centros urbanos do país rios e córregos estão poluídos. Em sete estados visitados pela ONG SOS Mata Atlântica para realização de análise da água, cerca de 40% dos rios estava ruim ou péssima. O Sistema Cantareira que abastece mais da metade dos domicílios na região metropolitana do estado de SP está previsto um recorde de capacidade mínima registrada próximo de 13%, o pior nível desde que o reservatório foi construído na década de 70.

As secas acontecem todos os anos. A cada três décadas os períodos se emendam e elas se tornam mais prolongadas. É o que acontece no momento. Prossegue-se no rumo da privatização dos serviços de água; da construção de grandes obras que afetam o acesso das populações à água; da poluição de mananciais; da eliminação de mananciais pelo desmatamento e intenso uso da água para fins econômicos, principalmente a irrigação e por outro, a falta de visão sistêmica dos gestores nacionais os impede de relacionar a lâmpada com o interruptor, ou seja, não conseguem estabelecer uma política que permita o acesso à água e que também preserve os mananciais. A ganância do capital – hidronegócio –, apoiada pela política dos governos, desequilibra uma gestão que necessariamente deveria ser holística.

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