Mentes Lúcidas

Quando o racional fica em silêncio e vive no conformismo, torna-se parte do problema e perde a total credibilidade da razão

Culinária funcional para o equilíbrio imunológico e pessoas com câncer

Deixe um comentário

images.duckduckgo.comCada câncer começa como uma célula normal que teve seu DNA danificado. Essa célula se divide rapidamente, multiplicando-se e invadindo áreas do corpo onde normalmente não seria encontrada.

O câncer é muitas vezes causado pelo dano dos radicais livres, o que cria um “estresse oxidativo’’ no organismo. Ele utiliza processos como a angiogênese para crescer e se propagar, e pode ser estimulado por certos ambientes do corpo, tais como uma inflamação.

A boa notícia é que o corpo é programado para se curar. O sistema imunológico é projetado para nos proteger de qualquer dano e tem glóbulos brancos especializados cuja função é detectar e destruir as células cancerosas. O desenvolvimento de um câncer depende do equilíbrio entre as células danificadas e capacidade do sistema imunológico em detectá-las e destruí-las. Aprender a ativar seu sistema imunológico é um passo essencial para tornar seu corpo um ambiente menos propício ao câncer. Isso é de vital importância durante o tratamento, que muitas vezes reduz temporariamente a função imunológica.

O sistema imunológico é sensível a mudanças no estado físico, emocional e psicológico. As células brancas do sangue podem ser ativadas ou desativadas por substâncias químicas produzidas no organismo; por exemplo, a adrenalina e o cortisol, que as glândulas suprarrenais produzem quando a pessoa está estressada, são inibidores potentes do sistema imunológico; já as endorfinas – produzidas quando o indivíduo se exercita – têm o efeito de estimulá-lo.

Comer bem e fazer exercícios regularmente, administrar o estresse e as emoções e estar próximo das pessoas e coisas que realmente importam na vida são ótimas maneiras de aumentar o seu bem-estar.

Pesquisadores que estudaram abordagens integrais descobriram que, quando as pessoas comem de maneira mais saudável, fazem exercícios regularmente e prestam mais atenção em como lidar com o estresse e as emoções, podem tornar o câncer menos ativo e até mesmo em como lidar com o estresse e as emoções, podem tornar o câncer menos ativo e até mesmo fazê-lo diminuir de tamanho. As evidências confirmam os benefícios de tais mudanças no estilo de vida e seu poder de aumentar as chances de sobrevivência de pessoas com câncer.

As vantagens de comer bem dependem de vários fatores; se come com pressa, por exemplo, o fluxo sanguíneo será desviado para longe dos órgãos digestórios, de modo que, mesmo que coma de forma saudável, seu corpo não será capaz de aproveitar os alimentos tão bem quanto poderia, reduzindo alguns dos benefícios nutricionais.

dicas-alimentacao-saudavelInflamação, inchaço ou vermelhidão persistente cria um ambiente que promove o câncer em todas as fases de desenvolvimento do tumor, e por isso os alimentos que permitem minimizar esse efeito são muito importantes. Se incluir na dieta mais ácidos graxos ômega 3 (encontrado em peixes gordurosos) e ingerir menos ácidos graxos essenciais ômega 6 (encontrados em óleo de cozinha poli-insaturados – como o ´de girassol e de outros vegetais – em margarinas e alimentos processados), isso ajuda o corpo a reduzir inflamações. Fibras, vitaminas, e outros antioxidantes encontrados em frutas, legumes, verduras e grãos integrais também podem auxiliar. Além disso, pesquisas recentes mostram que os ácidos graxos ômega 3 podem ser capazes de aumentar o efeito anticâncer do tamoxifeno, medicamento usado contra o câncer de mama.

Por outro lado, gorduras trans (encontradas em alimentos processados) e os ácidos graxos ômega 6 em excesso podem estimular a inflamação. Eles não só contribuem para o aparecimento do câncer como também podem colaborar para doenças cardíacas, aterosclerose, síndrome metabólica e outras condições crônicas.

Alimentos com índice glicêmico (IG) e carga glicêmica (CG) alta criam um ambiente pró-inflamatório no organismo. O índice glicêmico e a carga glicêmica são formas de medir a rapidez com que os carboidratos presentes nos alimentos são quebrados para gerar glicose no sangue. Pão branco, arroz branco (com exceção do arroz basmati), a maioria dos cereais matinais e alimentos que contenham açúcar são alguns dos itens com IG e CG elevados. Todos eles tornam as inflamações mais prováveis e/ou mais fortes.

A vitamina D é considerada crucial para reduzir a inflamação no corpo. Ela é produzida principalmente pela ação da luz solar na pele, sem excessos, entre os alimentos estão os peixes gordurosos, mariscos, gema de ovo, cogumelos e manteiga.

As células cancerosas usam a angiogênese (criação de novos vasos sanguíneos) para conseguir o oxigênio e os nutrientes de que elas precisam para crescer. A angiogênese é um processo que ocorre naturalmente no corpo, mas em uma situação cancerosa a taxa de formação de novos vasos sanguíneos é anormalmente rápida. Foi descoberto que alguns alimentos ajudam a impedir a criação de novos vasos e estão sendo estudadas as suas eficácias para uso terapêutico. Incluir na dieta cebola, alho, soja, crucíferas (repolho, brócolis, couve-flor), frutas cítricas, especiarias, chá-verde e muitas ervas aromáticas, você se beneficia de suas propriedades antiangiogênicas, contribuindo para diminuir a criação de novos vasos sanguíneos que ajudam no crescimento das células cancerosas.

As células cancerosas tendem a se multiplicar rapidamente, mas alguns alimentos são capazes de impedir essa proliferação, interferindo no processo de divisão celular; por exemplo, o indol-3-carbinol (I3C) impede a divisão das células cancerosas ao inibir uma enzima chamada elastase. O I3C é encontrado em vegetais como repolho, couve-flor e brócolis – portanto, comer esse tipo de ingrediente diminui a velocidade com que as células cancerosas se multipliquem.

Apenas 5%-10% dos cânceres são causados por fatores hereditários. Estudos de um ramo relativamente novo da biologia, chamado epigenética, mostram como os genes que herdamos são afetados pelo estilo de vida, pelas escolhas alimentares e por eventos pessoais. Isso ilustra como os genes não são sempre determinantes e que as escolhas que fazemos quanto ao estilo de vida podem ser muito poderosas para controlá-los. Uma dieta rica em ácido fólico, por exemplo, encontrado em folhas verdes, ajuda a promover processos epigenéticos saudáveis e a impedir a formação e propagação de células cancerosas.

O crescimento do câncer também pode ser estimulado por desequilíbrios hormonais. Isso é mais evidente em cânceres sensíveis a hormônios, como o câncer de mama e de próstata. Estar acima do peso ou ser obeso aumenta o risco desses tipos de câncer, assim como outros, incluindo o do endométrio, cólon, pâncreas e rim.

A obesidade também induz a uma resistência à insulina: é quando o corpo já não tolera os altos níveis de glicose e faz subir os níveis de insulina. Esse hormônio é um fator de crescimento para muitas células, especialmente aquelas do cólon. E, se essas células crescem fora de controle, elas podem se tornar cancerosas. Em estágios avançados do câncer, a resistência à insulina contribui para a perda de peso e a sensação de fraqueza.

Ter um peso saudável é um passo importante para se proteger de cânceres sensíveis a hormônios, da resistência à insulina e de outras doenças crônicas.

A produção de radicais livres é uma reação química normal do corpo; no entanto, nós vivemos em um mundo que promove o excesso de produção e de radicais livres: o fumo e a ingestão de bebidas alcoólicas, bem como a poluição ambiental e o estresse, são só alguns dos fatores que facilitam sua formação. Quando o corpo está em contato com muitos radicais livres, ele fica incapaz de limitar o dano celular que todos eles causam, e isso se acumula ao longo do tempo. O resultado é conhecido como estresse oxidativo deliberadamente em torno delas para destruir as células normais e roubar seus nutrientes em benefício próprio.

Antioxidantes são substâncias químicas que “limpam’’ os radicais livres e reduzem seus efeitos prejudiciais. O dano dos radicais livres no corpo pode ser limitado com a inclusão de alimentos ricos em antioxidantes, tais como as vitaminas C e E, e os minerais zinco e selênio. Alimentos de origem vegetal são a melhor fonte desses nutrientes: legumes, verduras, frutas, cereais, integrais e castanhas. Zinco e selênio também são encontrados em carnes e frutos do mar.

REFERÊNCIAS

BAILEY, Christine PENNY BROHN CANCER CARE. Culinária funcional: receitas especiais para pessoas diagnosticadas com câncer. São Paulo, SP: Publifolha, c2013. 160 p.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s