Mentes Lúcidas

Quando o racional fica em silêncio e vive no conformismo, torna-se parte do problema e perde a total credibilidade da razão

Morte digna ou boa morte no momento de coragem e superação

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Marieke Vervoort e seu cão companheiro – atleta paraolímpica que deseja eutanásia após as Olimpíadas

A abreviação da morte, a aplicação de esforços terapêuticos desproporcionais, como a obstinação, a futilidade e o encarniçamento terapêutico, ou a instituição dos cuidados paliativos, que aliviam o sofrimento, constituem os extremos de tratamentos que podem ser oferecidos ao indivíduo em estágio terminal

 
A ortotanásia é caracterizada como boa morte, a arte do bem morrer, de se respeitar o bem estar global dos indivíduos, a fim de garantir a dignidade no viver e no morrer. A ortotanásia é o procedimento pelo qual o médico suspende o tratamento, ou só realiza terapêuticas paliativas, para evitar mais dores e sofrimentos para o paciente terminal, que já não tem mais chances de cura, desde que essa seja sua vontade ou de seu representante legal. Outro estudo complementa que o médico não interfere no momento do desfecho letal nem para antecipá-lo nem para adiá-lo
 
A eutanásia é o termo significa morte sem dor, sem sofrimento desnecessário. Atualmente, é entendida como uma prática para abreviar a vida, a fim de aliviar ou evitar sofrimento para os pacientes; a preocupação principal é com a qualidade de vida remanescente; traduz o auxílio ao suicídio, através de procedimentos que provocam a morte. Por outro lado, o direito de morrer de forma digna diz respeito a uma morte natural, com humanização, sem que haja o prolongamento da vida e do sofrimento. Nesse processo, não se devem empregar meios que causem sofrimentos adicionais, mas que sejam adequados para tratar uma pessoa que está morrendo realizada por um médico, um enfermeiro, qualquer um dos profissionais da área de Saúde ou mesmo por um familiar. Atualmente, em geral, utiliza-se o termo eutanásia para designar tanto a eutanásia propriamente dita como o suicídio assistido
 
A distanásia conceituada como uma morte difícil ou penosa, usada para indicar o prolongamento do processo da morte, por meio de tratamento que apenas prolonga a vida biológica do paciente, sem qualidade de vida e sem dignidade. Também pode ser chamada de obstinação terapêutica. A intenção é de se fixar na quantidade de tempo dessa vida e de instalar todos os recursos possíveis para prolongá-la ao máximo; uma morte sofrida, com muita dor, introduzindo tratamento agressivo que só prolonga o processo de morrer. Desse modo, constata-se que também existe o prolongamento do sofrimento, e não da vida, consequentemente, sem nenhum benefício terapêutico e acarretando gastos elevados para a instituição
 
Este é um dilema ético de difícil decisão, porém que determinará, em última instância, todo o processo de morte de um ser. A Bioética pode ser uma ferramenta eficaz na busca da decisão mais prudente frente aos conflitos éticos em detrimento da terminalidade. No entanto, é necessário desenvolver novas pesquisas, provenientes de dados empíricos que possam servir de subsídios para respaldar a prática de profissionais da área de saúde no cuidado com o paciente terminal e sua família. Aceitar a individualidade de cada pessoa será preciso para que a criatura humana possa respeitar a autonomia e o bem mais precioso do ser humano – a vida revestida de dignidade, isso não apenas no leito da morte ou durante o sofrimento de alguém, mas também, durante a vida plena e saudável de qualquer um que seja
Referências
FÉLIX, Z.C; COSTA, S.F.G; ALVES, A.M.P. M; ANDRADE, C.G; DUARTE, M.C.S; BRITO, F.M. Euthanasia, dysthanasia and orthothanasia: an integrative review of the literature. Ciência & Saúde Coletiva, 18(9):2733-2746, 2013

Comentários

Este texto foi elaborado em inspiração a este noticiário: O drama da campeã belga Marieke Vervoort, que disputará os Jogos Paralímpicos

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